Principais tópicos:
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A estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMT) é um tratamento não invasivo para depressão, indicado especialmente para pessoas que não obtiveram melhora com os tratamentos de primeira linha ou que tiveram efeitos colaterais importantes com o uso de medicamentos.
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O procedimento utiliza um campo magnético para estimular áreas específicas do cérebro relacionadas à regulação do humor. O objetivo é ativar as células nervosas envolvidas em quadros depressivos, promovendo alívio dos sintomas.
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A EMT não exige anestesia nem sedação e, em geral, apresenta menor risco de efeitos colaterais quando comparada à terapia eletroconvulsiva (TEC).
Quase 1 em cada 5 pessoas nos Estados Unidos recebe o diagnóstico de depressão em algum momento da vida. No Brasil, os números também são significativos: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 11 milhões de brasileiros convivem com a doença, tornando o país o com maior número de casos na América Latina.
É normal sentir tristeza, estresse ou solidão em certas fases da vida. No entanto, na depressão grave, os sintomas persistem por duas semanas ou mais e começam a interferir nas atividades diárias. Esses sintomas podem incluir humor deprimido, cansaço excessivo, alterações no sono e no apetite, além de pensamentos negativos ou perturbadores.
A maioria dos casos de depressão pode ser tratada com psicoterapia, medicamentos ou uma combinação de ambos. No entanto, cerca de 30% das pessoas apresentam um quadro que não responde bem aos tratamentos convencionais — o que é conhecido como depressão resistente ao tratamento.
Para esses casos, a estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMT) é uma alternativa. Trata-se de um procedimento não invasivo que utiliza campos magnéticos para estimular regiões do cérebro envolvidas na regulação do humor. Há também a EMT profunda, uma variação que usa uma bobina especial capaz de atingir áreas mais profundas do cérebro, ampliando o alcance terapêutico.
O que é terapia magnética para depressão?
Para entender melhor o que é a estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMT), vale observar o significado de cada parte do nome:
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Repetitiva: o tratamento envolve uma série de pulsos magnéticos aplicados de forma contínua, com o objetivo de estimular células cerebrais.
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Transcraniana: o dispositivo de EMT é posicionado sobre a cabeça, encostando na parte externa do crânio. Os pulsos atravessam o osso, sem necessidade de cirurgia, injeção ou implantes.
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Magnética: o aparelho gera uma corrente elétrica que cria um campo magnético direcionado.
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Estimulação: esse campo estimula os neurônios na área do cérebro localizada abaixo do dispositivo.
Em outras palavras, a EMT utiliza um equipamento colocado próximo à cabeça para gerar campos magnéticos que ativam regiões específicas do cérebro. Isso pode lembrar a terapia eletroconvulsiva (TEC), já que ambas afetam a atividade elétrica cerebral. No entanto, existem diferenças importantes entre elas — falaremos disso mais adiante.
O uso mais comum da EMT é no tratamento da depressão grave ou resistente a medicamentos. A técnica foi aprovada para esse fim pela FDA (agência reguladora dos EUA) e pela ANVISA no Brasil em 2008. Com o tempo, a EMT também passou a ser autorizada para o tratamento de outras condições, como:
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Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)
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Enxaqueca com aura
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Depressão com ansiedade
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Cessação do tabagismo (parar de fumar)
Embora a EMT seja uma alternativa mais recente, especialmente no tratamento da depressão grave, ela tende a apresentar menos efeitos colaterais e ser melhor tolerada do que a TEC. Em geral, não é tão rápida ou eficaz quanto a TEC em casos mais severos, mas novas abordagens e tecnologias na EMT estão mostrando resultados cada vez mais promissores.
Como funciona a terapia magnética para depressão?
Durante uma sessão de estimulação magnética transcraniana (EMT), um dispositivo com uma bobina metálica é posicionado próximo à sua cabeça. Esse aparelho emite pulsos eletromagnéticos que atravessam o crânio e alcançam o cérebro, atuando principalmente no córtex pré-frontal — região envolvida em funções como comportamento, tomada de decisões e personalidade.
Estudos mostram que a estimulação repetida das células nervosas nessa área pode ajudar no tratamento da depressão. A EMT pode atuar de diferentes formas, como:
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Estimulando a liberação de neurotransmissores
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Alterando a forma como certos genes se expressam
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Influenciando a resposta das células cerebrais aos hormônios
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Contribuindo para a proteção e reparo das células cerebrais
Ao contrário da terapia eletroconvulsiva (TEC), que afeta o cérebro como um todo, a EMT é direcionada a áreas específicas. Além disso, os pulsos magnéticos da EMT têm menor risco de provocar convulsões, diferentemente da atividade elétrica envolvida na TEC.
A EMT pode ser utilizada como tratamento único para a depressão, mas também pode ser combinada com outras abordagens, como medicação, psicoterapia e mudanças no estilo de vida. O ideal é discutir o plano completo de cuidados com um profissional de saúde mental, que poderá indicar a melhor estratégia para o seu caso.
O que posso esperar durante o tratamento com EMT?
Antes de iniciar o tratamento com estimulação magnética transcraniana (EMT), você terá uma consulta com um ou mais membros da equipe responsável. Eles farão uma avaliação completa, que pode incluir o levantamento do histórico médico e um exame físico. É importante informar todos os detalhes relevantes sobre sua saúde física e mental, incluindo:
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Histórico pessoal ou familiar de convulsões
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Lesões na cabeça, concussões ou episódios de perda de consciência
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Casos anteriores de tumores cerebrais ou acidentes vasculares cerebrais (AVCs)
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Presença de dispositivos médicos implantados
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Objetos metálicos no corpo, especialmente na região da cabeça ou pescoço
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Uso de medicamentos (prescritos ou de venda livre), vitaminas e suplementos
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Consumo de álcool ou outras substâncias
Na primeira sessão, será feito o ajuste do posicionamento ideal do dispositivo de EMT. Em alguns casos, podem ser solicitados exames de imagem cerebral para auxiliar na definição da área a ser tratada, embora isso nem sempre seja necessário. Quando utilizados, esses exames ajudam a direcionar a estimulação com mais precisão.
A duração do tratamento varia conforme o protocolo adotado. Em geral, cada sessão dura de 3 a 40 minutos e é realizada cinco vezes por semana, ao longo de 4 a 6 semanas. Um profissional de saúde mental conversará com você sobre o plano individual antes do início da terapia.
A EMT não é dolorosa e, ao contrário da terapia eletroconvulsiva (TEC), não costuma causar convulsões. Por isso, não há necessidade de anestesia ou sedação. A maioria das pessoas relata apenas uma sensação de batidas leves na cabeça a cada pulso magnético. Após o término da sessão, é geralmente possível retomar as atividades normais, embora possa ser necessário ajustar sua rotina para incluir os horários do tratamento.
Quais são os efeitos colaterais da terapia magnética?
A maioria dos efeitos colaterais da estimulação magnética transcraniana (EMT) é leve e temporária. Os mais comuns incluem:
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Leve desconforto na área da cabeça onde o dispositivo é posicionado
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Sensação de formigamento ou pequenos espasmos no couro cabeludo ou no rosto durante a sessão
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Dor de cabeça leve, tontura ou sensação de vertigem
O risco de efeitos adversos graves com a EMT é bem menor do que com a terapia eletroconvulsiva (TEC). Até o momento, não há evidências claras de que a EMT cause perda de memória. O risco de convulsões é inferior a 1% para a maioria das pessoas.
Alguns fatores que podem aumentar esse risco incluem:
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Ter epilepsia ou outro distúrbio convulsivo
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Já ter tido uma convulsão em sessões anteriores de EMT
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Histórico de traumatismo craniano
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Consumo de álcool
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Privação de sono
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Uso de certos medicamentos que aumentam a chance de convulsão
Durante o tratamento, a equipe de saúde pode fazer perguntas regulares sobre seu sono, consumo de álcool e alterações na medicação, para avaliar e minimizar qualquer risco.
Até o momento, não há indícios de efeitos colaterais graves a longo prazo relacionados à EMT. No entanto, mais pesquisas ainda são necessárias para confirmar a segurança total do tratamento com o passar do tempo.
Quanto tempo demora para a terapia magnética funcionar no tratamento da depressão?
Cada pessoa pode reagir de maneira diferente ao tratamento com estimulação magnética transcraniana (EMT), e o grau de alívio dos sintomas pode variar conforme o protocolo utilizado.
Em geral, a maioria dos pacientes começa a perceber melhora nos sintomas após algumas semanas de tratamento, um tempo semelhante ao observado com o uso de antidepressivos e com a terapia eletroconvulsiva (TEC).
Em 2022, foi aprovado um protocolo de EMT de ação rápida para o tratamento da depressão. Essa abordagem intensiva é aplicada ao longo de apenas cinco dias, com o objetivo de acelerar os resultados. Atualmente, esse protocolo é utilizado principalmente em situações de emergência, quando há risco imediato à saúde ou à segurança da pessoa.
Quem é candidato à terapia magnética para depressão?
Medicamentos antidepressivos e psicoterapia continuam sendo os tratamentos de primeira linha para a depressão grave. No entanto, uma pessoa pode ser considerada candidata à estimulação magnética transcraniana (EMT) se:
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Os sintomas não melhoraram com o uso de antidepressivos
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Houve efeitos colaterais indesejáveis com os medicamentos
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Já apresentou boa resposta anterior à EMT
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Está fazendo a transição da terapia eletroconvulsiva (TEC) para a EMT
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A psicoterapia isolada não trouxe os resultados esperados
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Tem 15 anos de idade ou mais
Como a EMT utiliza campos magnéticos, algumas pessoas não podem se submeter a esse tipo de tratamento. Quem tem objetos metálicos implantados na cabeça ou no pescoço deve evitar a EMT, por questões de segurança. Isso pode incluir:
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Placas ou clipes metálicos
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Eletrodos, chips ou marcapassos
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Implantes cocleares
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Piercings permanentes
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Tatuagens feitas com tinta magnética
O metal em outras partes do corpo geralmente apresenta menor risco, mas a equipe de saúde deve ser informada sobre cirurgias prévias, próteses articulares ou implantes que contenham metal. Já obturações dentárias e aparelhos ortodônticos são considerados seguros. Joias metálicas devem ser removidas antes de cada sessão.
Conclusões
A estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMT) é uma terapia que utiliza campos magnéticos para estimular as células nervosas do cérebro. É indicada para pessoas com depressão que não respondem bem a outros tratamentos ou que não toleram os efeitos colaterais de medicamentos.
A eletroconvulsoterapia (ECT) ainda é considerada o tratamento mais eficaz para casos graves e resistentes de depressão. No entanto, a EMT tem a vantagem de apresentar menos efeitos colaterais e não exige o uso de anestesia ou sedação.
Para algumas pessoas, a EMT pode ser uma alternativa eficaz e mais tolerável no tratamento da depressão resistente.
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Observação: este conteúdo não se destina a substituir aconselhamento, diagnóstico ou tratamento médico profissional. Sempre procure o conselho de seu médico ou outro profissional de saúde qualificado com qualquer dúvida que possa ter sobre uma condição médica.
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Referências
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Texto traduzido e adaptado do original: https://www.goodrx.com/conditions/depression/what-is-magnetic-therapy-for-depression
FAQ: perguntas frequentes sobre terapia magnética para depressão
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