Ansiedade e Depressão a partir do uso das tecnologias digitais
Foto Wilton de Andrade
Escrito por
Wilton de Andrade
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Revisado por
Chalise Maris Martin Reges
CRP 06/151189
Última atualização
15/04/2024
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Influência Crescente da Tecnologia na Saúde Mental

Na sociedade contemporânea, a tecnologia digital é uma faceta onipresente do dia-a-dia, moldando fundamentalmente nossas maneiras de trabalhar, aprender e interagir. A integração profunda das plataformas digitais na vida cotidiana trouxe conveniências inegáveis, ampliando o acesso à informação e a eficiência da comunicação. No entanto, essa constante conectividade vem com seu preço: um aumento significativo nos casos de ansiedade e depressão, distúrbios que estão cada vez mais sendo vinculados à nossa era digital.

Este fenômeno está se tornando uma questão de saúde pública urgente, relevante não apenas para profissionais de saúde mental, mas para todos os indivíduos. À medida que navegamos por um mar de informações e interações virtuais sem precedentes, o impacto sobre nossa saúde mental e qualidade de vida não pode ser subestimado. A compreensão profunda dos vínculos entre tecnologia e bem-estar psicológico é essencial para desenvolver estratégias que promovam um equilíbrio saudável e sustentável.

 

Evolução Digital e Seus Efeitos

A transição da era analógica para a digital representou uma das maiores revoluções na forma como seres humanos interagem com a informação. O passado caracterizado por mídias físicas e interações face a face foi transformado por avanços tecnológicos que democratizaram o acesso à informação. Hoje, bilhões de terabytes de dados são consumidos diariamente por indivíduos ao redor do mundo, representando um aumento exponencial na disponibilidade e no consumo de informações. Plataformas digitais como smartphones e redes sociais não apenas simplificaram como também expandiram radicalmente nossa capacidade de comunicar e interagir.

As redes sociais, em particular, redefiniram as interações sociais, conectando pessoas de diferentes culturas e geografias com uma facilidade nunca antes vista. Segundo dados do Pew Research Center, mais de 70% dos adultos nos Estados Unidos utilizam alguma forma de rede social, um número que tem crescido continuamente desde a sua concepção. Globalmente, plataformas como Facebook, WhatsApp e Instagram mantêm bilhões de usuários ativos, moldando novas normas sociais e expectativas de disponibilidade e resposta.

Estudos como os publicados no Journal of Computer-Mediated Communication sugerem que essa constante conectividade, embora benéfica em muitos aspectos, também acarreta desafios psicológicos significativos. O aumento do uso de tecnologia e a prevalência de redes sociais têm sido associados a mudanças no comportamento social e aumento na sensação de isolamento e ansiedade entre indivíduos, indicando uma dualidade na nossa nova realidade digital que necessita de cuidadosa gestão e estudo contínuo para entender completamente seus efeitos a longo prazo na saúde mental.

 

Conexão entre Tecnologia e Saúde Mental

A relação entre o uso intensivo de tecnologia e o surgimento de distúrbios psicológicos têm sido amplamente documentada em estudos científicos recentes. Pesquisas indicam que a hiperconectividade pode aumentar os sintomas de ansiedade e depressão, principalmente devido à sobrecarga de informações e ao estresse relacionado ao constante fluxo de comunicações e expectativas de disponibilidade imediata.

Um estudo publicado no Journal of Psychological Science revelou que o uso excessivo de redes sociais pode aumentar sentimentos de inadequação e depressão por meio de comparações sociais incessantes. Usuários frequentemente avaliam suas vidas em relação às imagens idealizadas que outros postam, o que pode diminuir a autoestima e aumentar a sensação de isolamento social. Além disso, o fenômeno do cyberbullying tem sido uma preocupação crescente, com impactos devastadores na saúde mental de jovens e adultos, exacerbando condições como ansiedade e depressão.

O impacto da tecnologia na saúde mental também inclui o fenômeno da "fadiga de zoom", onde o uso prolongado de plataformas de vídeo para comunicação em tempos de trabalho remoto e distanciamento social tem levado a um novo tipo de exaustão mental. Estudos como os realizados pela Stanford University sugerem que a interação virtual contínua, embora benéfica em manter conexões, requer mais foco e atenção cognitiva, aumentando o cansaço mental e físico.

Esses exemplos sublinham a necessidade de abordagens equilibradas no uso da tecnologia, visando minimizar seus efeitos negativos enquanto se maximiza seus benefícios em termos de acessibilidade e conexão humana. A conscientização sobre esses riscos é crucial para desenvolver estratégias de mitigação eficazes na era digital.

 

Olhar profissional de Chalise Maris Martin Reges

É importante reconhecer os ganhos sociais que o avanço tecnológico proporciona ao nosso mundo moderno no que se refere ao acesso às informações, da mesma maneira que se faz necessário compreender que, juntamente com esse desenvolvimento, há também um aumento de casos de ansiedade e depressão motivados pelo mesmo fator: a era digital. 

Para tanto, precisamos retomar um pouco de nossa história não tão distante assim – se antes tínhamos uma dinâmica de comunicação, obter informações, ter acesso a serviços e outras atividades de forma mais limitada e também mais lentificada, atualmente essa não é a realidade: com o aprimoramento das plataformas digitais, praticidade na rotina e o comodismo das redes sociais, somos constantemente bombardeados com dados, opiniões, notícias não verificadas, convites à embates e pré-julgamentos que nos estimulam das formas mais sutis até as mais violentas. 

Nosso cérebro também não aprendeu na velocidade proporcional em que as informações chegam até nós – sejam elas buscadas voluntariamente, ou principalmente as que nem queríamos saber, mas passamos a saber. 

Imagine o seguinte cenário: uma pessoa, conhecida ou não, encontra seu endereço pessoal e começa a tocar a campainha desesperadamente, batendo na porta e forçando a entrada sem qualquer limitação, trazendo alguma informação ou exigindo algum retorno seu de maneira rápida – muitas vezes, esta é exatamente a dinâmica de meios de comunicação que usam mensagens instantâneas, por exemplo. E ainda que haja algum cuidado na hora de acionar alguém, há uma demanda que pode aparecer como “urgente” em certo nível, mesmo que ela não seja de fato. 

A grande questão é: se não tudo, uma parte considerável daquilo que nos chega, gera algum tipo de reação, sentimento, pensamento e até incômodos que, se não observados e trazidos à consciência, são difíceis de se tornarem passíveis de um cuidado adequado. Pressões sociais, cobranças excessivas, busca por padrões e por felicidade absoluta, assim como dores coletivas nos sobrecarregam de modo a nos adoecer, mesmo que não seja um efeito instantâneo – acúmulos podem ressoar por tempo suficiente a influenciar negativamente nossas motivações, valores pessoais e dificultar o reconhecimento daquilo que realmente nos faz sentido.

É indispensável que estejamos vigilantes, neste caso, à nossa saúde mental e aos impactos que ela já foi exposta, numa tentativa de transformarmos nossa relação com a era digital de maneira mais saudável, consciente e apropriada.

 

Cinco Passos  Para o Detox Digital

  • Estabelecer Horários para Tecnologia: Definir limites claros para o uso de dispositivos digitais é crucial. Isso inclui determinar horários específicos do dia para verificar e-mails, usar redes sociais, jogar games ou navegar na internet. Uma boa prática é evitar a exposição a telas pelo menos uma hora antes de dormir para melhorar a qualidade do sono.
  • Detox Digital Regular: Incorporar períodos regulares de detox digital, onde você se desconecta completamente de dispositivos eletrônicos, pode ajudar a diminuir a dependência tecnológica e melhorar o bem-estar mental. Esses períodos podem ser durante o fim de semana, feriados ou horas específicas do dia dedicadas a atividades não digitais.
  • Configuração de Ambientes Livres de Dispositivos: Criar zonas em casa ou no local de trabalho onde não são permitidos dispositivos digitais pode promover interações pessoais mais significativas e reduzir a constante necessidade de conectividade. Áreas de descanso, quartos e salas de jantar são ideais para serem zonas livres de dispositivos.
  • Uso de Ferramentas de Bem-Estar Digital: Aproveitar tecnologias e aplicativos que monitoram e limitam o uso de outras tecnologias pode ser paradoxal, mas eficaz. Muitos dispositivos modernos já vêm com recursos de bem-estar digital que ajudam a controlar o tempo de tela, bloquear notificações ou filtrar conteúdos estressantes.
  • Práticas de Mindfulness e Relaxamento: Integrar práticas de mindfulness e exercícios de relaxamento como meditação, yoga ou respiração profunda na rotina diária pode contrabalançar os efeitos do estresse tecnológico. Essas atividades ajudam a centrar a mente, relaxar o corpo e reduzir a ansiedade.

 

Encontre o equilíbrio 

À medida que navegamos pelas correntezas da era digital, é essencial que cada um de nós tome a iniciativa de cuidar proativamente da nossa saúde mental. Reconhecer os sinais de ansiedade e depressão não é apenas um ato de autoconsciência, mas um passo crucial para a manutenção do nosso bem-estar. Sentimentos de isolamento, tristeza persistente, ou uma ansiedade que não parece ceder são indicadores de que algo mais profundo pode estar acontecendo.

É vital discutir abertamente essas questões de saúde mental, não apenas com amigos e familiares, mas também com profissionais qualificados. Buscar ajuda não é um sinal de fraqueza, mas de força. É um reconhecimento de que você está pronto para encontrar um equilíbrio melhor e mais saudável entre sua vida online e offline.

Encerramos com um chamado à ação: avalie sua interação com a tecnologia. Se necessário, faça ajustes para reduzir o estresse digital. Lembre-se, criar um futuro psicologicamente sustentável é um compromisso que todos devemos assumir. Vamos trabalhar juntos para promover um equilíbrio saudável entre nossa vida digital e real, garantindo que nossa saúde mental não seja apenas preservada, mas enriquecida.

 

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Observação: este conteúdo não se destina a substituir aconselhamento, diagnóstico ou tratamento médico profissional. Sempre procure o conselho de seu médico ou outro profissional de saúde qualificado com qualquer dúvida que possa ter sobre uma condição médica.

 

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